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Centro Empresarial Rio Negro: cimento branco em pré-fabricados
Por Heloisa Amorim de Medeiros
A construção industrializada predomina no novo Centro Empresarial Rio Negro, empreendimento de quatro torres da Redevco, holding holandesa que administra a C&A e que ocupará parte de um dos prédios (o restante será locado). O conjunto, construído em Alphaville, São Paulo, tem duas torres corporativas e duas comerciais, totaliza 125 mil m2 de área construída e possui 1.455 vagas de estacionamento. Um dos aspectos interessantes nessa obra é que as soluções adotadas se pautaram na Engenharia de Valor, metodologia aplicada ao projeto que avalia a relação custo/benefício das tecnologias propostas considerando fatores como processo e logística de produção, durabilidade e manutenção dos edifícios.
Painéis arquitetônicos pré-fabricados de concreto e banheiros prontos foram a opção feita pela Racional Engenharia, que está construindo a obra, depois de aplicar a Engenharia de Valor nos projetos originais. A opção por estas soluções ocorreu na fase de concorrência, quando a Racional elaborou um estudo e apresentou soluções alternativas e economicamente viáveis que poderiam ser aplicadas na obra, sem descaracterizar o empreendimento. "Trata-se de aplicação da engenharia de valor desde a fase de projeto", conta Pérsio Villa da Silva, gerente executivo da Racional Engenharia. Segundo ele, esse trabalho foi decisivo para a Racional vencer a concorrência.
Com projeto arquitetônico de Ricardo Julião, o complexo foi planejado para ser construído em duas etapas. A primeira delas foi concluída em agosto de 2004 e a segunda teve início em outubro. A implantação prevista é em U, com a abertura voltada para o norte. Cada um dos prédios corporativos conta com 13 pavimentos 1.200 m2 de área útil para abrigar dois conjuntos. Já as torres comerciais têm 15 pavimentos que podem comportar até oito conjuntos de 100 m2 cada, destinados a atender profissionais liberais e empresas de médio porte.
Pré-fabricados
Com o objetivo de industrializar ao máximo o processo construtivo, a opção pelos painéis pré-fabricados de concreto branco permitiu uma redução de 60 dias na execução das fachadas. Segundo Silva, o rígido controle de qualidade passa a ser feito na fábrica, economizando tempo e procedimentos no canteiro. Enquanto os painéis estavam sendo fabricados, a estrutura era executada. A fachada pele de vidro foi complementada com esquadrias de alumínio de vidro refletivo metalizado, de alto desempenho térmico. Os painéis pré-fabricados foram produzidos com cimento
branco e receberam proteção hidrofugante para facilitar a limpeza. A medida facilita a manutenção predial e dispensa a pintura. "Os recursos destinados à obra foram pré-determinados, o que implicou na constante busca por soluções compatíveis. Dessa maneira, chegamos aos painéis pré-fabricados com cimento branco de alta resistência, que conferiram rapidez à obra e irão reduzir custos de manutenção", explicou o arquiteto Ricardo Julião.
Os banheiros e copas também foram encomendados de fábrica, solução muito usada em hotéis e hospitais, porém mais rara em edifícios corporativos. Ao todo, são 292 banheiros comuns nas duas torres, fabricados em concreto, além de banheiros para deficientes e copas. Os banheiros foram entregues prontos - com revestimentos cerâmicos, louças, instalações elétricas e hidráulicas. Os conjuntos foram içados até os andares correspondentes, colocados sobre carrinhos e deslocados até a posição final, onde foram conectadas as instalações. Para Silva, as principais vantagens da opção são a padronização do acabamento, o controle de qualidade e a redução de prazo da obra. Os 52 banheiros do prédio corporativo foram montados em 15 dias. Já os 240 banheiros da torre comercial consumiram 30 dias.
Fundação e estrutura
As fundações das torres, que no projeto original foram projetadas com sapatas de até 1.000 m3, mereceram também engenharia de valor. A Racional desenvolveu um projeto de fundação para cada torre, de acordo com a carga de cada edifício. As sapatas previstas foram substituídas pela combinação de três soluções: estacas de grande diâmetro escavadas em solo e rocha, tubulões (para cargas de menor porte) e sapatas localizadas. Esse mix permitiu que a construtora concluísse as fundações em 90 dias, otimizando o prazo inicial de 150 dias.
Para a execução das estruturas de concreto das torres, optou-se pela utilização de fôrmas mesas voadoras, uma solução incomum em obras comerciais. O resultado mais expressivo foi a redução do tempo de concretagem das lajes. "Como cada fôrma de laje foi executada em três dias, houve uma redução de cinco dias no ciclo. A inovação também permitiu melhor controle dimensional, menor exposição de funcionários a riscos e padronização da qualidade do empreendimento", explica Silva.
A protensão das lajes e vigas foi feita com cordoalhas engraxadas que, aliada à utilização de concreto de alto desempenho, de 40 MPa, permitiu a protensão a 100%, após 72 horas da concretagem. Isso possibilitou a desfôrma em quatro dias. Além disso, garantiu vãos estruturais maiores, redução da espessura do concreto de lajes e vigas e do consumo de aço. Para a liberação do concreto para protensão, foi mantido na obra um laboratório de controle de qualidade, que possibilitou o acompanhamento diário do ganho de resistência.
Ficha técnica
Área do terreno – 23.133 m2
Área construída – 125.339 m2 (duas etapas)
Arquitetura e interiores - Ricardo Julião Arquitetura e Urbanismo
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